"Depois do ato do amor sobrevinha um pouco de ódio ao amigo, como se ele houvesse penetradomuito longe na sua intimidade, violando a liberdade feminina. Porque essa liberdade era o que mais importava - era a sua razão de viver. O que mais poderia significar a vida de uma jovem senão a repulsa de velhas e sórdidas ligações e sujeições?
Ora, por mais que filosofassem sobre o assunto, aquelas relações sexuais constituíam uma das mais antigas sujeições. Os poetas que a glorificavam eram homens - a mulher sempre percebeu que há coisas mais elevadas que o amor físico. E, por experiência própria, estavam agora as duas convencidas disso. A bela e pura liberdade de uma mulher valia muito mais que o amor sexual. Triste é o atraso dos homens nesse ponto. Eles insistem na cópula, como cães.
E a mulher tem de ceder, tão infaltilmente teimosos os homens se mostram. Ou a mulher cede ou eles passam a se comportar como crianças malcriadas, que estragam tudo com seus amuos. Mas a mulher pode ceder só na aparência, conservando-se livre e dona de si lá no seu íntimo. É este um ponto que os poetas e os sexólogos não levam em consideração. Uma mulher pode receber um homem sem se entregar a ele, ou sem cair em eu poder - antes utilizando-se do sexo para adquirir poder sobre ele. Durante a cópula, basta que se contenha, que o deixa chegar ao clímax sem que com ela aconteça o mesmo. Por outro lado, ela pode prolongar o coito e conseguir seu orgasmo sem que o homem seja outra coisa senão mero instrumento."
Trecho de 'O amante de Lady Chaterlley', livro muito bom que eu estou lendo agora.
arms that can't hold you that true
Há 10 anos
